Ímpar – o estranho, o deslocado, o que sobra na conta justinha e bem organizada de um sistema binário. Aquilo que não cabe. O que extrapola. A antítese do par. O que recusa, o que nega. Espaço de criar. O ÍMPAR é uma conexão, um espaço de troca criativa e colaborativa entre pesquisadores, autores e ativistas de diversas disciplinas e movimentos políticos que produzem conhecimento crítico sobre os processos sociais que sustentam a instituição Família em sua atual posição como mecanismo privilegiado de operação da vida social. Quais as implicações dessa característica das sociedades contemporâneas? Como essa instituição foi construída e tomou esse lugar? Quais seus principais pilares? É possível desmontá-los? Essas são apenas algumas das perguntas que as trocas e conexões do ÍMPAR pretendem explorar.
Como queremos contribuir?
Temos como objetivo principal articular pesquisas contemporâneas interdisciplinares das ciências sociais e humanidades para sistematizar uma nova metodologia e novos conceitos teóricos na abordagem de um objeto fundador das ciências sociais: a família. A intenção, ao fazê-lo, é estabelecer a fundação sólida do que desponta como uma nova área de estudos, a saber, os Estudos Críticos da Família.
A empreitada é motivada pela observação compartilhada entre diferentes pesquisadoras e autoras, de que embora a instituição familiar e suas formas mais e menos tradicionais tenham sido efetivamente objeto de estudo de diversas disciplinas e áreas ao longo do último século e meio (quando se institucionaliza o modelo universitário atual), em larga medida esses trabalhos ainda não produziram conjuntos coesos de conceitos e categorias teórico-metodológicas próprias, tratando assim a família como um tipo genérico de microestrutura do tecido social (incorrendo por vezes em anacronismos, ou arriscando aplicações quase universalizantes dessa instituição tão particularmente ligada a um tipo específico de organização social).
Esse conjunto tradicional de trabalhos sobre a família toma essa categoria como um dado, ao passo em que a abordagem dos Estudos Críticos da Família pretende refiná-la enquanto conceito. Desse modo, propõe sua compreensão a partir do papel que a própria categoria “família” desempenha na sustentação de toda a matriz simbólica ocidental, espaço no qual se articula com outros sistemas definidores das relações de poder, como gênero/sexualidade e raça. Por meio de pesquisas teóricas e empíricas, os trabalhos associados ao ÍMPAR contribuem para investigar a categoria “família” como operador central do sistema de parentesco das sociedades de matriz simbólica ocidental, na mesma medida em que a matriz heterossexual e a branquitude atuam respectivamente nos casos de gênero/sexualidade e raça.
Pilares teóricos
Em termos de construção teórico-política, os Estudos Críticos da Família se apoiam em quatro áreas de estudos interdisciplinares já consolidadas, e suas contribuições para a compreensão das dinâmicas sociais, culturais, econômicas e políticas que se articulam na instituição familiar: gênero, sexualidade, racialidade e parentesco. Um de seus pressupostos metodológicos centrais é o conceito de Matriz Simbólica Ocidental.
Nossa rede
O ÍMPAR é constituído por uma rede de pesquisa que engloba docentes, pesquisadoras de pós-doutorado, estudantes de doutorado, orientandes de mestrado e iniciação científica e colaboradoras externas ligadas à produção intelectual crítica em espaços não-acadêmicos. Somos um Grupo de Pesquisa registrado no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq (clique aqui para ver as informações cadastradas). Atualmente participam do Ímpar 27 pessoas, distribuídas em 9 universidades brasileiras e estrangeiras, sendo 3 docentes, 7 doutoras/pós-docs, 8 doutorandas, 3 orientandes de mestrado, 5 orientandes de graduação e 1 colaboradora externa. O grupo atua nas disciplinas de Sociologia, Antropologia, Ciência Política, Filosofia, Psicanálise e Psicologia, com interseções diversas com as demais áreas das humanidades.